Dicas de fotografia (parte 001)

Na primeira vez que saí para fotografar, fiz algumas centenas de fotografias em um só dia. Na época gostei muito de umas cinquenta fotos. Hoje, após 6 anos (em 2015), apenas uma realmente me atrai daquele montante de imagens.
Acabei me tornando seletivo com o passar dos anos, por outro lado a cada fotografia que registro carrego uma bagagem que me permite efetuar julgamentos com base em argumentos palpáveis. Esse conhecimento é o que pode diferenciar o fotógrafo de um leigo.

É importante destacar que sou daquelas pessoas que aprende tudo “por si mesma”. Me aproximo daquilo que chamam de autodidata. Dentro desse “espírito” de aprendizado, acredito que posso tirar alguma licença poética ao que estamos prestes a ler, pois são opiniões pessoais e ensinamentos que venho colhendo ao longo de poucos anos na fotografia e em outras áreas que tenho interesse.

Meu desejo é transmitir isto para você (nobre leitor) e espero que eu esteja à altura de suas expectativas... Se não estiver é só falar.

A ideia deste artigo e de outros que publicarei é desmistificar algumas coisas para que uma pessoa leiga possa registrar fotografias “melhores”.

Todo leigo eventualmente registra boas imagens, mas ter consciência do que se está buscando e registrar da melhor forma possível pode ser um desafio frustrante inicialmente.

Engana-se quem pensa que para se fazer um bom registro fotográfico é necessário ter um equipamento “profissional”.
Claro que câmeras e acessórios de “alto nível” oferecem recursos e ferramentas “notáveis”, mas sem conhecimento de nada adianta ter tais equipamentos.

Na verdade, em minha opinião, são dois parâmetros que regem fotografias interessantes:
  1. Linguagem e/ou olhar para “escrever” com luz, sombras e emoção.
  2. Conhecimento de regras de composição.

Linguagem e/ou olhar para escrever com luz, sombras e emoção.

A linguagem fotográfica está intimamente ligada a sensibilidade emocional no diálogo do autor (pessoa que fotografa) e o que está a sua frente.

Imagine-se numa praia fotografando... Uma pessoa leiga irá fazer registros ao bel prazer, certo? Surgirão fotografias de amigos, parentes, plantas, areia, mar... Faremos o possível para registrar nossas lembranças, mas será que o candidato a fotógrafo percebe que há mais que se explorar?

Já se imaginou procurando registrar elementos implícitos? Essa é uma tarefa emocionante e que pode proporcionar boas recompensas.
Tente fotografar elementos abstratos como o vento, calor, frescor do mar e da sombra, o prazer de uma boa água de cocô... agora enfie um personagem, adicione diversão, descanso e outras variáveis que buscamos num local paradisíaco.

A fusão de alguns elementos implícitos, uma bela paisagem e uma história para se contar poderá resultar em fotografias melhores, certo? Mas isso tudo brota do olhar de quem registra o momento.

No fim das contas o item 01 trata da sensibilidade de um olhar treinado, de uma pessoa capaz de se conectar com o ambiente e sua percepção do desenrolar de eventos, mas este não será o foco inicial dos artigos que pretendo escrever.
O nosso foco se manterá em algo mais simples e muito importante. Vamos falar sobre regras de composição.


Regras de composição

De que adianta ter sensibilidade e não saber enquadrar o que se deseja registrar? Eventualmente registraremos boas imagens, mas o aproveitamento poderá ser baixo.


Regra 01 – Formato da fotografia

Os formatos estão relacionados a orientação em que a imagem será exibida em um meio (tela de computador, papel e etc.). São três os formatos mais comuns:
  • Paisagem
  • Retrato
  • Quadrado
Iremos abordar dois inicialmente (paisagem e retrato). Talvez você pense que uma orientação deve ser usada em fotografias de paisagens e outra para retratos, mas não é isso.


Formato paisagem

Está relacionado a forma como a nossa visão interpreta o mundo naturalmente. Usando a câmera que você tem (pode ser um tablet, smartphone, DSLr, compacta...) olhe o display ou visor. Se estiver vendo um retângulo “deitado”, então este é o formato paisagem.



No formato paisagem, o lado maior é o que fica na horizontal (“deitado”).


Formato retrato

O formato retrato é o que reproduz uma pessoa sendo retratada naturalmente da região peitoral para cima, mas isto não significa que este é um formato específico para retratos.


O registro da fotografia ocorre com o lado maior no retângulo na vertical.


Formato quadrado

Esse é o mais fácil de se explicar. Os quatro lados têm comprimentos iguais. Acredito que este formato está mais relacionado a imagens que explorem simetria, mas isto ficará para outro dia. Vale lembrar que diversas “regras” que aprenderemos para os formatos retrato e paisagem podem ser aplicadas ao formato quadrado.


Que formato devo escolher?

Todo planejamento de imagem passa por uma etapa elementar: Que orientação devo escolher, retrato ou paisagem? Responder a esta pergunta depende diversos fatores (incluindo o gosto pessoal).
Muitas pessoas apenas mudam a orientação por instinto ou pelo simples argumento de que tal orientação não irá conter tudo o que é desejado para aquela fotografia. Mas cada formato tem suas características.

Uma dessas características é a sensação de movimento “natural”. Quando observo um retângulo vazio na orientação de paisagem, tenho a sensação de movimento horizontal. Quando olho o inverso (retrato), tenho a sensação de movimento vertical.


Movimento horizontal

Meus olhos tendem a percorrer o retângulo desde do canto esquerdo até o direito e vice-versa. No mundo ocidental, onde escrevemos da esquerda para a direita, o canto esquerdo acaba sendo observado primeiro.


Movimento vertical

Meus olhos tendem a olhar primeiro para a parte de cima e depois para a parte de baixo e vice-versa. Acredito que olho o topo inconscientemente e o motivo pode estar na nossa própria natureza, gerada pela lei da gravidade que está associada a sensação de queda e a hierarquia das coisas. A visão do Sol sobre as nossas cabeças, da face no topo do corpo humano, da visão das flores para as raízes e blá, blá, blá.

NOTA IMPORTANTE: Estamos falando de retângulos vazios. Essa raiz desse conhecimento é apenas o alicerce para uma composição fotográfica. Elementos (e o arranjo destes) dentro de um retângulo podem mudar completamente o que vejo primeiro, mas isto será abordado noutro artigo.
Note que no exemplo do formato retrato eu escrevi ‘Retrato’ baixo para cima, então você pode ter olhado primeiro para baixo. No formato paisagem o lado esquerdo pode ter sido o primeiro ponto observado pelo mesmo motivo anterior. Este é um claro exemplo de como a distribuição de elementos dentro de um retângulo interfere na forma como observamos coisas e, consequentemente, fotografias.

Distribuir elementos dentro de uma composição é uma arte que pode garantir o sucesso de uma composição fotográfica ou seu fracasso. Na menor das hipóteses teremos elementos fortes e fracos, rápidos ou lentos, atraentes ou repulsivos e muito mais.

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