Fotografia (027) papel impresso


Quantas pessoas tem o hábito de fotografar e compartilhar suas experiências através de meios digitais (redes sociais, nuvens, e-mails, ambientes de colaboração e etc.)? Deste montante, quantas imagens passam para o papel?

Num mundo em que atitudes sustentáveis deveriam estar na frente de outros interesses, é até bom que poucas pessoas resolvam imprimir fotografias. Coitadas das nossas florestas, não é mesmo?

Por outro lado, existe um universo em que a arte deve ser tratada como arte. O belo deve sair do contexto comum e tomar um lugar efetivo, que tenha o objetivo claro de elevar a condição humana para um patamar distinto. Permita-me explicar.

Você teria a coragem de demolir esta construção?

E um tapete persa, você queimaria? Então, o que envolve o belo tem valor que foge ao valor financeiro atribuído, mas que recai sobre o ser e seu estado de espírito. A fotografia tem poder transformador e, claro, tem seu conteúdo jornalístico e documental. Porém, para mim, uma imagem se traduz em força que move a pessoa que fotografa por arte e que espera uma única coisa – expressar uma ideia que funcione como uma "marca" que fuja ao banal, tal como a construção acima.

Imprimir fotografias (e não é necessário que faça isso com dezenas ou centenas) é um ato que remove a imagem de um plano comum e a leva para outro, onde o diálogo entre obra e observador se dá pela intenção de uma impressão realizada para ser inegavelmente apreciada pelo que é.

O modelo acima mostra uma de minhas fotografias... vejam que ainda estamos observando através do meio digital, mas o ambiente sugerido (quarto de criança) colabora com a fotografia e vice-versa. Você teria interesse em se desfazer deste momento? Isso é o belo dentro do que (teoricamente) é comum?

Apenas uma fotografia, que na parede ganha um propósito interessantíssimo. Sim... a fotografia de uma plantinha, de seu sobrinho, sua neta, seu animal de estimação... todos ganham significado, que pode não ser arte no sentido acadêmico, mas é arte pessoal que pode ser transferida para seus conhecidos, amigos e parentes.

Agora imagine esta fotografia no display de um smartphone? Ela teria um caráter de apreciação tão elevado? Veja outras amostras, que talvez sejam ilustrações luxuosas demais, mas não importa. Mesmo um cantinho da residência mais humilde tem espaço para uma fotografia, duas ou mais.





No lado técnico da composição, se o interesse é imprimir, quem produz a fotografia deve considerar a ampliação da cena em relação ao tamanho da impressão. Parece confuso? Esta desmistificação só ocorre (acho eu) quando resolvemos imprimir o arquivo digital e realizamos julgamentos daquilo que estamos sentindo.
Para mim, toda fotografia tem um tamanho de impressão mínimo aceitável, que é o conhecido 20 x 30, ou vinte centímetros de um lado para trinta centímetros do outro, que é aproximadamente o tamanho de uma folha de papel A4. Neste tamanho eu me sinto confortável em apreciar a totalidade da imagem em minhas mãos numa distância confortável dos meus olhos, sem que o ambiente ao redor interfira nesta relação.
Se o objetivo é pendurar na parede, outras variáveis devem ser consideradas... tamanho do ambiente, objetos ao redor, cor da parede, altura, iluminação... não digo que o padrão tenha que ser o de um museu ou exposição de alto nível, pois (novamente) mesmo a moradia mais simples pode ter um cantinho reservado para um momento especial. ;)


Existem inúmeros processos de impressão, tintas e papéis. Bem como temos inúmeros processos para emoldurar tais impressões. Por onde eu começo?

1. Visite exposições. Mesmo as menores podem nos ensinar muito sobre este primeiro contato com impressões. Se possível, reserve um dia para ir sozinho (a). Olhe as imagens e procure entender o que elas podem te contar.

2. Converse com pessoas que tem o hábito de imprimir e que possam te apresentar alguns trabalhos em papel.

3. Faça a impressão de uma mesma fotografia em tamanhos diferentes, depois compare cada uma com a outra. Solicite a opinião de amigos e pessoas que tenham alguma experiência.

4. Ajuste sua câmera para obter o melhor arquivo digital possível. Certifique-se de que ela está trabalhando na resolução mais alta. Escolha o formato de arquivo que guarde a maior quantidade de informações possíveis.
Muitas pessoas fotografam no formato de imagem JPG, mas recomendo que verifique se seu equipamento permite o armazenamento de imagem no formato RAW, TIFF ou DNG.
Obviamente você precisará aprender um pouco sobre processamento de imagens para estes formatos que, diferentemente do JPG, necessitam de softwares específicos e uma curva de aprendizado equivalente.
Cabe ressaltar que o formato JPG é suficiente para a produção de imagens belíssimas, que em alguns casos são irretocáveis (não necessitam de qualquer ajuste). Futuramente escreverei um artigo sobre formatos de arquivo para fotografia digital. Também iniciaremos uma série sobre processamento e edição de imagens.


5. Quanto maior o tamanho desejado de impressão, mais críticas serão as escolhas no ato de fotografar.Impressões grandes tendem a revelar erros no foco. Um exemplo clássico de problemas se dá em retratos que apresentem a expressão da pessoa retratada como o assunto principal, nesses casos o foco (área de maior nitidez) deve estar na região dos olhos. Vamos ao exemplo.
Esta imagem será melhor observada a partir de telas maiores. Se você estiver lendo este artigo a partir de um smartphone, é interessante que use o zoom.
Note que a área de maior nitidez está no plano desde a ponta do nariz até os olhos (que perdem um pouco de nitidez se comparados a testa). Dos olhos para trás, a pele vai ficando suave, até que chegamos nas orelhas e fica fácil perceber que não existem mais detalhes apreciáveis. A boca, em função da cabeça levemente inclinada para baixo, já não possui tanta nitidez quanto nos olhos.
Então, se erramos o foco e a impressão pretendida for grande... o resultado pode não agradar tanto no aspecto técnico.
Claro que há uma relação direta entre o local que estará a foto e distância em que estará o observador. Quanto mais distante a fotografia de ti, mais difícil será notarmos pequenos erros. Já que a ideia é aprender a fotografar melhor, certifique-se de não deixar certos detalhes passarem, ou seja, evite errar.


6. Procure conhecer bem o equipamento que tem em mãos, mesmo que seja um smartphone. Entenda as limitações dele e pratique bastante.

Gostou deste artigo? Role a tela para baixo, deixe seu comentário ou veja outros itens interessantes.

Antes de usar o conteúdo deste artigo para outros fins, por favor, consulte a nossa política de privacidade e direitos de uso.