Fotografia (parte 022) Mãos

Hoje falaremos sobre as mãos e com as mãos falaremos (risos). O interesse pelo retrato passa por este fator importante. A inclusão das mãos tem haver, exclusivamente, com a linguagem corporal (indico que estude sobre isso). A postura e o comportamento dizem muito sobre nós e sobre aqueles que estão a nossa volta. Que tal transportar isto para os seus retratos?
As mãos devem concordar com o que o corpo e a expressão da face transmite. Muitos retratistas omitem as mãos por certa insegurança ou incompreensão... o objetivo deste artigo é desmistificar isto!

Pelo que sei, um estudo antigo de Charles Darwin, chamado A Expressão das Emoções Entre Homens e Animais, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, explica cientificamente o impacto da linguagem corporal, desde os instintos mais primitivos, que podem ter sido herdados de outras espécies.

Amigos e amigas, por pavor, de forma alguma estou levantando qualquer polêmica que envolva a discussão entre a criação (defendida por religiosos) e um outro trabalho, do mesmo autor, chamado A Origem das Espécies... me perdoem a quebra no fluxo deste artigo, mas é importante manifestar meu ponto de vista antes que surjam diálogos que pouco tem relação com o que estamos falando.

Então... o retrato carrega muitos significados externos e internos, e as mãos têm impacto nos “dois mundos”. Aproveitá-las em retratos é um princípio que não nos ensina somente a fotografar melhor, mas sim a identificarmo-nos como espécie que tem um grande poder corporal a ser desenvolvido e compreendido.

Já que retratos não armazenam ou reproduzem voz (no sentido literal), resta a expressão em pausa e o movimento sugerido para dialogar com o observador. Obvio, há muito mais... mas para o propósito das mãos, manterei meus comentários restritos.

Um detalhe da escultura O Rapto de Proserpina, de Bernini...


A intensidade do troque, a sustentação do peso e a relação anatômica é inconfundivelmente bela. OS dedos estão onde deveriam estar, essa é a dica que esta obra (além de outras coisas) ensina. O mesmo vale para o próximo exemplo.


Como fotografar um pedido de silêncio, sem que o óbvio seja registrado? As mãos têm função de substituir ou reiterar o que poderia ser dito. Mas também podem expressar a beleza que não pode ser dita em palavras.




Eu já disse antes, que o fotógrafo enxerga duas vezes mais que uma pessoa comum. Ver, “julgar” e refletir e escrever com luz... esta é a verdadeira câmera fotográfica que habita em nós. No fim das contas, quem fotografa deve absorver um senso crítico aos detalhes (aparentes e implícitos).

Devo sempre lembrar que falo para iniciantes (me incluo aqui) e experientes nesse ramo da fotografia, porém uso de uma abordagem elementar – que busca abraçar a razão do ser em seu sentido mais belo (ao meu ver) para retratarmos alguém.

Muito poderia ser dito sobre a técnica do “repouso” e pose das mãos, porém prefiro apresentar fundamentos que independem da técnica, mas levam para o gosto do juízo. Qualquer pessoa pode fotografar e muito bem. Se há habilidade, esta vem de princípios comuns que temos desde a gestação no ventre de nossas mães.
Alguns cursos de fotografia deveriam considerar este tipo de aprendizado, ao invés de podar um talento inerente em “virtude” de argumentos “frios” e empobrecidos pela falta de conexão com a vida.

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