Dicas de fotografia (parte 004)

Iniciar-se em fotografia é:

1. Exercitar a percepção do que está ao nosso redor.
2. Conhecimento de nós mesmos.

O exercício de percepção (1) ocorre, em parte, perante o reconhecimento de elementos de composição e regras (que podemos aplicar ou quebrar) nos nossos trabalhos. Porém, o autoconhecimento (2) é extremamente relevante para que você tenha capacidade de expressar seus sentimentos e aspirações através de imagens (fotografias). Buscar uma identidade dentro do que desejamos conceber é relevante para a realização de um trabalho. Se você não gosta do que está fazendo, pare, repense seus valores e considere que opções existem para que a fórmula “funcione”.

Indo um pouco além, podemos falar de um terceiro item: O Tema.

Já notei que algumas pessoas se chateiam após algum tempo e eu fui uma dessas pessoas. O indivíduo olha para a própria fotografia e não sabe o que falta. A resposta começa com uma pergunta que leva para outras: Porque eu fotografei isso? Acredito que esta pergunta esconde um ponto fundamental.

Na verdade, eu deveria perguntar: O que desejo transmitir para mim mesmo e para outras pessoas? Qual é o combustível? Onde está a inspiração? Talvez a resposta seja um tema. Arte pode se tornar um labirinto, tal como esta introdução que escrevo (risos).

Com todo o respeito... já vi algumas pessoas ministrando cursos, workshops, passeios... mas havia algo faltando. Notei que muito se falava sobre elementos e regras, mas pouca orientação havia para “direção de talentos”. O professor deve fornecer combustível e sugestões para que o aluno trilhe um caminho pelas próprias pernas. Podemos transformar um assunto em tema, mesmo antes de pegar na câmera e “sair na rua” para fotografar.
Tenho um conhecido que planejou uma viagem para locais que se conectavam ao livro Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa. Ele “usou” o conteúdo da obra como fonte de inspiração para as suas imagens. Acredito que foram duas viagens em uma, pois ele esteve fisicamente em ambientes novos, sendo intimamente guiado por elementos abstratos e subjetivos, pois a mente trabalhava com duas linhas raciocínio (o passeio turístico e sua interpretação do livro) para compor imagens.

Não digo que você deve procurar inspiração aqui e ali. Sugiro que olhe dentro de si e faça uma pesquisa. Essa procura pode se revelar incrivelmente simples e produtiva, mesmo que você deseje apenas fotografar formigas ou moedas (sem desmerecer a turma que registra close-ups e macros). O que podemos criar a partir de coisas simples? Podemos criar grandiosidade? Sim, podemos!

Encontre um tema, dedique tempo, pesquise, planeje e execute. ;) Agora vamos para a parte técnica... Regras!!!


Linhas verticais

Linhas verticais sugerem que o observador será direcionado para a percepção de rigidez, permanência, resistência, durabilidade e outras descrições relacionadas.
Imagine um soldado na posição de sentido, o caule de uma planta, árvores numa floresta... você está vendo a linha vertical na fotografia abaixo?



Linhas verticais conduzem os olhos do observador para cima e para baixo.



Outros sentidos podem ser encontrados... altura, poder, ascensão, elegância. Já notou que diversos trabalhos de fotografia de moda retratam modelos de um ponto de vista baixo? Elas ou eles aparecem como se estivéssemos olhando abaixo da linha dos olhos deles. Tal como a flor abaixo, que fotografei na casa da minha tia (e madrinha).



No próximo episódio falaremos sobre linhas mistas e outras “novidades”. Cabe dizer que fotografias interessantes começam com simplicidade, seja na percepção do assunto, distribuição de elementos, resultado da composição e na proposta da linguagem.


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