Dicas de fotografia (parte 008)

Neste episódio estaremos abordando figuras geométricas implícitas, ou seja, dentro de uma cena se escondem figuras que não estão claramente visíveis.

Essas “figuras” ocultas direcionam o olhar do observador. Mantenha isto em mente: Quanto mais capturamos a atenção do observador e quanto mais pudermos conduzir a leitura de uma imagem, maior será a nossa capacidade de realizarmos composições melhores.

Antes de avançarmos para o tema principal, necessito esclarecer algo que considero relevante: O poder de uma abstração. Permitam-me esclarecer:


A maior parte dos seres humanos usa (basicamente) cinco sentidos, por vezes focamos nossa atenção mais em um do que em outro. Quando você sente o aroma de uma boa refeição, focamos em qual dos sentidos? Quando decidimos por um agasalho num dia frio, que sentido predomina para que esta decisão ocorra?

Agora vamos transferir o nosso foco para a observação de fotografias. O primeiro sentido a atuar é a visão. Quantos mais podemos usar?

Se vou fotografar, devo estar atento de forma a usar de argumentos (parâmetros) ou elementos de composição que possam sugerir que o observador use outros sentidos com maior eficácia. Então eu, como fotografo, devo entender que a minha impressão do ambiente deve ser abrangente.

Imagine-se caminhando numa bela manhã de primavera. Estamos caminhando em meio a colinas verdejantes, repletas de flores. O clima é agradável e uma brisa leve percorre o nosso corpo.
Pegue sua câmera nesse ambiente precioso. Então vem a inspiração de se replicar tais sensações através de fotografias. Esse é o princípio para se traduzir uma experiência pessoal (e praticamente “intrasferível”) para pessoas que vão estar em outros ambientes e imersos em outras sensações e “pressões” diárias.

Então, fotografias são abstrações e extratos de uma realidade, que em primeira análise não pertence ao observador. “Recortar” o mundo é  tarefa de quem registra e direcionar o poder desse recorte ,com fins de propor uma leitura, também.

Tudo o que falamos em outras dicas (e muito do que falaremos) repousa neste ponto de vista. Dito isto...


Geometria implícita

 https://stocksnap.io/author/5049

A fotografia acima (como já vimos antes) está envolta de espaço negativo e imersa em baixo contraste (que aprenderemos futuramente). É uma captura comum (para o meu gosto), porém sua simplicidade esconde uma figura implícita. Consegue perceber?



Simples... Um triângulo.



Entramos na imagem pela base do triângulo e subimos rapidamente para a mão da criança (ou paramos nos dedos que envolvem a manga da roupa. Para mim o foco nos dedos do adulto não seria o ideal, mas, como devo colocar imagens que possam propor diversos pontos de vista. Eu faria escolhas diferentes, porém o que importa aqui é o triângulo, que funciona como área de navegação.

Uma fotografia pode conter inúmeros setores de navegação, porém, tais regiões devem ser do entendimento do autor de uma fotografia. A distribuição (discordante ou harmônica) provoca o olhar e aguça a curiosidade do observador, mesmo nas composições mais simples.


https://stocksnap.io/author/1949

As formas resultantes não precisam ser “perfeitas”, conter lados iguais, ser simétricas ou equivalentes. O “segredo” está na distribuição.
Note que no exemplo acima temos “ilhas” fictícias e o fundo escuro funciona um tipo de “oceano” ou rio.



Essa ideia se encaixa em diversas fotografias. É interessante como abstrações povoam a nossa mente, mesmo quando são implícitas. Consegue perceber alguma figura na imagem abaixo?


https://unsplash.com/jgalafa

Meu ponto de vista diz que...



Mas também vejo isso...



Gostou? Espero que este artigo seja útil. Tire proveito das formas (quadrados, retângulos, círculos e figuras sobrepostas) e explore o que desejar.


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